“Podeis beber o cálice?” (Chesterton)

“Agora compreendo tudo”, exclamou, “tudo quanto existe! Por que razão tudo na terra se Combate mutuamente? Por que razão não há neste mundo ser algum, por pequeno que seja, que não tenha de lutar contra o próprio mundo? Por que uma mosca, uma borboleta, tem de lutar contra todo o universo?

Pela mesma razão por que tive de estar só no horrível concílio dos dias, a fim
de que tudo quanto obedece à lei possa conhecer a glória e o isolamento do anarquista; […] a fim de que a verdadeira mentira de Satanás possa ser lançada ao rosto deste blasfemador, a fim de que, mediante lágrimas e torturas, mereçamos o direito de dizer a este homem: ‘Mentes!’. Não há agonias grandes demais quando se adquire o direito de dizer a este acusador: ‘Nós também sofremos’…”

Virou a cabeça e viu, subitamente, o enorme rosto de Domingo, que sorria estranhamente.

“E vós” — gritou com horror — “vós já haveis sofrido?”

Enquanto fitava, o enorme rosto tornou-se descomunal, maior ainda que a colossal máscara de Mêmnon, que, em criança, o fazia gritar. Tornou-se cada vez maior, encheu o firmamento, depois tudo escureceu. Mas, vinda da escuridão, antes que esta lhe destruísse por completo o cérebro, pareceu-lhe ouvir uma voz distante, murmurando um lugar comum, que ele já ouvira em algum lugar: “Sereis capazes de beber da mesma taça de que eu bebi?”.
G. K. CHESTERTON, THE MAN WHO WAS THURSDAY

[O HOMEM QUE ERA QUINTA-FEIRA]

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s