Vocação (por Hermann Hesse)

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“Existem muitas espécies e formas de apelo à vocação, mas o cerne e o sentido dessa vivência é sempre o mesmo: a alma desperta, transformada ou mais elevada, pelo fato de que em lugar dos sonhos e pressentimentos íntimos, de súbito um apelo exterior,um fragmento da realidade se apresenta e intervém. No presente caso o fragmento da realidade fôra a figura do Mestre: aquela venerável e semi-divina figura do conhecido Mestre de Música, um arcanjo do céu supremo, surgira em carne e osso, tinha olhos azuis oniscientes, sentara-se num banquinho ao piano de estudos, havia tocado com José, tocado maravilhosamente, demonstrando-lhe quase sem palavras o próprio sentido da música, abençoara-o e desaparecera de novo. As consequência que disso talvez decorressem não se revelaram logo a Servo, porque êle se encontrava ainda profundamente impressionado e ocupado com o eco imediato e íntimo daquele acontecimento. Qual uma jovem planta, desenvolvendo-se até então silenciosa e hesitante, que de súbito principia a respirar e a crescer, como se em uma hora milagrosa, de repente, as leis da sua própria forma se lhe tornassem conhecimento e ela aspirasse tão intimamente a realizá-las, o menino principiou, após ter sido tocado pela mão daquele mágico, a concentrar e a distender rapidamente e com ímpeto suas forças, sentindo-se transformado, sentindo-se crescer, sentindo novas expansões, novas harmonias entre si e o mundo, podendo vencer por vezes tarefas na música, em latim, na matemática, muito além de sua idade e de seus camaradas, sentindo-se capaz de qualquer trabalho e estudo, por vezes, esquecendo-se de tudo, sonhando com nova e desconhecida suavidade e completa entrega de si mesmo, ficava ouvindo o vento ou a chuva, observava longamente uma flor ou a correnteza de um rio, sem nada compreender, tudo pressentindo, repleto de simpatia, de curiosidade, de vontade de compreender, levado pelo próprio eu a um eu alheio, ao mundo, ao mistério e ao sacramento, ao jogo das aparências, belo e doloroso.” (Hesse, Hermann, “O Jogo das Contas de Vidro”)

Uma lista para o Dia de Todos os Santos

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Livros preciosos sobre a vida dos santos:

– Um santo para cada dia – Mario Sgarbossa Luigi Giovannini
– Os santos que abalaram o mundo – Rene Fulop Miller
– Venha, seja minha luz – Santa Teresa de Calcutá
– Vida e conduta de Santo Antão – Santo Atanásio
– História de uma Alma – Santa Teresinha do Menino Jesus
– Não morro, entro na vida – Santa Teresinha do Menino Jesus
– Diálogos com Motovilov – São Seraphim de Sarov
– São Tomás de Aquino – Chesterton
– São Francisco de Assis – Chesterton
– A Cruz e a Alegria (a vida de Marthe Robin) – padre Raymond Peyret
– São João da Cruz – Padre Thomas Saint-Laurent
– Livro da Vida – Santa Teresa de Jesus
– Confissões – Santo Agostinho
– Padre Pio, crucificado por amor – Silvana Cobucci Leite
– O Diálogo – Santa Catarina de Sena
– João Paulo II, Dom de Deus – Padre Daniel-Ange

Tome cuidado com sua oração…

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“Tome cuidado com sua oração. Tome cuidado para que nela não proliferem desejos subterrâneos, projeções, ilusões… Mesmo em seu quarto, em sua cela, não reze sozinho, mesmo na oração mais profunda, deixe que a Igreja entre, deixe que os santos falem com sua voz em você… Mais: entre na oração de Jesus. Na sua contemplação silenciosa e solitária, reze com o Cristo. Ninguém nunca está só. Reze com a palavra de Deus, reze com as Escrituras, faça sua Leccio Divina, e procure no Catecismo, em Santo Agostinho, nos Padres e em São Tomás as confirmações para que Voz que você que escuta não se confunda com outras vozes… ‘Uma só coisa é necessária’. Há uma só Voz, um só Verbo, e ele fala no silêncio de uma solidão habitada por uma ‘nuvem de testemunhas’.”

( autor desconhecido)